Há uma palavrinha no grego: thaumázein, que significa espantar-se. Mas não se trata do espanto de um susto ou de um medo repentino — é algo muito mais profundo.
O Espanto de que falo é o maravilhamento diante da realidade. É aquele momento em que algo desperta em nós uma admiração sincera, um desejo de compreender o sentido das coisas.

Sabe quando você ouve uma pregação, uma ideia, uma frase — e algo dentro de você se acende, dizendo:

“Eu preciso entender isso. Eu quero saber mais.”

Esse é o espanto filosófico, o primeiro passo de toda busca pelo conhecimento.
Os grandes pensadores da história — de Sócrates a Agostinho — começaram sua jornada com esse assombro diante do mundo. O espanto é a alma da filosofia, pois ele nos move a perguntar, a investigar e a não nos contentar com respostas superficiais.

Mas, infelizmente, vivemos em uma época em que o espanto se enfraqueceu.
As pessoas já não se admiram com a existência, mas com o lançamento do próximo celular.
Perdemos o encanto pela verdade e nos tornamos indiferentes ao mistério da vida. O resultado é uma geração que sabe muito sobre tecnologia, mas pouco sobre o sentido do ser.

Mesmo assim, acredito que o espanto ainda vive dentro de nós, sufocado, mas não morto. Ele reaparece quando contemplamos o céu, quando ouvimos uma boa música, quando lemos a Palavra — e algo em nós desperta para o eterno.

O verdadeiro Espanto é o que nos conduz de volta a Cristo.
Ele é o objeto supremo da admiração, aquele que pode nos tirar do fundo da caverna e devolver ao coração humano o brilho do encanto perdido.

Olhe para Cristo. Nele, o Espanto se torna adoração — e o conhecimento, uma forma de amar.